quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Quadrados de pastinaga e cenoura

Não nasci numa família de agricultores. Os cultivos cá em casa foram sempre para auto-sustento mas sempre se plantou um bocadinho de tudo.
Cresci a ver o meu avô plantar batatas pelo Carnaval e a fazer cálculos para saber quando seria a "fraqueira" da lua. Andava de volta deles e implorava para que me deixassem ajudá-los.
Nos últimos tempos tenho conversado com algumas mães que viveram a mesma experiência que eu. Os longos Verões em casa dos avós, ao ar livre, a trepar árvores e a correr atrás das galinhas. E em todas as conversas senti a mesma mágoa: os seus filhos já não vão viver essa experiência! Os avós entretanto envelheceram e os pais (agora avós destas crianças) são completamente citadinos e vivem em apartamentos.
Acreditem ou não estas conversas deixam-me a pensar e com um medo enorme que daqui a muito pouco tempo as crianças pensem que os ovos vêem do tablet onde a mãe faz as compras online. Nunca fui fundamentalista mas é algo que me preocupa. E é uma das razões pelas quais, sempre que posso, chego a casa com umas sementes novas, cujo nome os meus avós nunca ouviram e planto, "a ver no que é que dá".
E é a melhor sensação do Mundo quando nasce algo tão bonito e simples como uma pastinaga.


Ingredientes:
3 pastinagas pequenas (ou 2 médias) descascada e ralada
1 cenoura descascada e raspada
100 gramas de farinha integral
50 gramas de farinha de trigo
50 gramas de flocos de aveia
80 gramas de açúcar amarelo ou mascavado
1 colher de chá de manteiga derretida
50 gramas de nozes
5 colheres de sopa de leite
3 ovos
50 gramas de mirtilos secos ou corintos
1 colher de chá de fermento
1 colher de chá de canela em pó
1 colher de chá de gengibre ralado (ou em pó)

























(Receita deste livro, o meu favorito desta menina)

Preparação:
Pré-aqueça o forno a 180º. Barre um tabuleiro de ir ao forno com um pouco de manteiga ou óleo em spray.
Misture todos os ingredientes num recipiente e misture-os bem. Coloque a mistura no tabuleiro e leve ao forno cerca de 35 a 40 minutos ou até estar cozinhado.
Deixe arrefecer um pouco e corte em quadrados.


quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Papas de aveia com ruibarbo assado

Digam o que disserem, todos nós temos hábitos. Pequeno hábitos diários dos quais muitas vezes não nos damos conta porque já estão de tal maneira "colados" em nós.
Eu não consigo sair de casa de manhã sem tomar o pequeno-almoço. Tenho o tempo todo controlado, (porque não sou daquelas pessoas que colocam o despertador uma hora antes e vão acordando aos poucos) salto da cama e sei que me tenho de despachar. Mas há sempre tempo para me sentar e tomar o pequeno-almoço calmamente.
Na adolescência não passava sem os cereais. Na vida adulta torradas com pão de cereais ou centeio do dia anterior, barrado com manteiga (guilty) ou com compota e queijo fresco. Hmmm...
Ultimamente vou alternando com papas de aveia. Primeiro só comia estas, as minhas favoritas. Mas tenho vindo a experimentar novos sabores.
Confesso que andava mortinha por experimentar ruibarbo assado, que tanto vejo em livros de culinária ingleses e neste blogue que tanto gosto. E assim, foi. O último molhinho desta época (já tinha cortado e congelado em Outubro mas foram dando mais alguns até ao fim-de-semana passado, com a "neve" matinal estavam quase todos queimados) foi para o forno. As papas foram feitas na noite anterior e aquecidas de manhã, para um pequeno-almoço express.
(receita daqui)
Ingredientes (para 2 pratos):
4 talinhos de ruibarbo cortados em pedaços
1 colher de sopa de açúcar baunilhado (pode usar outro)
1 colheres de sopa de água
1 chávena e meia de leite

60 gramas de flocos de aveia
3 colheres de sopa de sementes de linhaça moídas
2 colheres de sopa de amêndoas laminadas
1 colher de sopa de compota de ruibarbo




Preparação:
Pré-aqueça o forno a 180º.
Numa assadeira misture os pedaços de ruibarbo, o açúcar e a água. Deixe assar cerca de 15 minutos ou até ficar macio.
Num tacho coloque o leite até começar a ferver. Junte a aveia (e açúcar se gostar) até engrossar e absorver o leite. Adicione as sementes de linhaça e misture.
Sirva com a compota, as amêndoas e o ruibarbo ainda quente.
Pode usar outra fruta, como maçã assada ou pêra assada.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Masoor Dhal e pão naan

Tenho uma vontade enorme de viajar. Correr o Mundo. Descobrir novas culturas, novos povos, novos hábitos.
Infelizmente as minhas voltas têm sido pequenas e curtas. Não me queixo. Quando a vontade aperta, sento-me no sofá com aquele que é, sem dúvida, um dos meus livros favoritos.
"Volta ao Mundo em 80 pratos"já era um nome apetecível para título de um livro mas ter as fotos do Lord Loftus fez-me encomendá-lo sem pestanejar. Pensei que seria um livro com fotos deslumbrantes e pouco mais.
Mas a verdade é que o pouco mais me tem fascinado. É dos livros de receitas que tenho que mais receitas experimentei ( uma grande parte delas estão no blog (aqui, aqui, aqui, aqui e aqui)e sempre que o folheio encontro mais uma receita que quero experimentar.
Desta vez parei na Índia.
"De Bombaim a Calcutá: Uma longa jornada de comboio (e elefante)" assim começa o capítulo e assim começa este prato, que cá em casa é prato principal ou uma entrada deliciosa servida com pão naan.
Ingredientes (para 4):
200 gramas de lentilhas vermelhas
2 colheres de chá de azeite
1 cebola grande cortada em fatias finas
2 alhos esmagados
1 colher de chá de sementes de cominhos
1/4 de colher de chá de açafrão-das-índias em pó
1 colher de chá de sal
2,5 cm de gengibre fresco
1/2 colher de chá de pimenta-de-caiena
1 punhado de coentros ou salsa fresca
Preparação:
Demolhe as lentilhas em água fria durante pelo menos 1 hora. Escorra-as e reserve.
Numa frigideira aloure a cebola e o alho em azeite e junte as sementes de cominhos. Reserve.
Coloque as lentilhas num tacho à parte e cubra com 2,5 cm de água. Junte o açafrão, o sal, gengibre e a pimenta.Deixe levantar fervura e deixe fervelhar até as lentilhas estarem cozinhadas.
Por fim, adicione a cebola e envolva bem. Finalize com os coentros ou salsa picada.

Pão naan (receita do blogue As minhas Receitas)
Ingredientes: 
1 ovo
1/2 colher de chá de fermento em pó
1 colher de chá de açúcar
1 pitada de bicarbonato de sódio
4 colheres de sopa de leite
500g de farinha
sal q.b.
4 colheres de sopa de azeite

Preparação:
Numa taça misture o ovo com o fermento, o açúcar, o bicarbonato de sódio e o leite. Noutra taça misture a farinha e o sal. Abra depois um buraco ao meio e junte a misture de ovo e leite começando a amassar e misturar lentamente. Vá depois acrescentando água, aos poucos e poucos até conseguir uma massa que não se agarre às mãos e que seja possível de amassar. Amasse até formar uma bola e deixe repousar 5 minutos tapada com um pano.
Ao fim desse tempo acrescente o azeite à massa e continue a amassar até o azeite estar incorporado e a massa bem maleável. Cubra com um pano e deixe levedar durante cerca de 2 horas.
Ao fim desse tempo divida a massa em 8 bolas. Com o rolo da massa estenda a massa (não muito fina) formando uma forma oval. Coloque num tabuleiro polvilhado com farinha.
Leve a assar em forno previamente bem aquecido a 200ºC cerca de 10 minutos (voltando os pães naan a meio da cozedura para alourarem de ambos os lados). Sirva ainda quentes.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Novo Ano...e uma espécie de galette de Reis

Mais uma época natalícia que acaba.
E mais um ano que começa. 2015!
Embora tudo se mantenha igual, ou seja, quase nada muda do dia 31 para o dia 1, há sempre um tom de esperança na voz, um brinde especial e uma ânsia de mudança.
Nos últimos anos criei o hábito de fazer uma pequena lista do que quero fazer no novo ano. Esse exercício obriga-me a fazer também uma reflexão sobre o ano que acaba e na pessoa que me estou a tornar. Faz bem parar. Faz bem reflectir.
Fez-me bem ver também o ano em retrospectiva (que tantos canais televisivos mostram nesta altura, a nível político, económico, nacional e internacional). Ver que há países onde a guerra nunca irá acabar, que inocentes tentam fugir a qualquer preço e são abandonados em barcos em fim de vida em pleno Mediterrâneo ou pessoas a morrer diariamente com Ébola faz pensar que afinal tenho o menor dos problemas e vivo num país com problemas, mas que há problemas bem piores no Mundo.
Faz bem relativizar de vez em quando. Faz bem comer aquilo que nos apetece de vez em quando. Porque até aos Reis é Natal, depois logo se pensa em dieta ;)
Feliz 2015 :)

 (receita adaptada do livro Little French Kitchen- Rachel Khoo e tábua linda daqui)


Ingredientes: (5 a 6 mini galettes)
100 gramas de manteiga amolecida
1 placa de massa folhada
100 gramas de avelãs e pinhões picadas grosseiramente
75 gramas de açúcar
1 ovo
1 maçã cortada em fatias finas

Preparação:
Corte a placa de massa folhada em pequenos círculos.
Numa frigideira toste as avelãs e os pinhões (opcional). Reserve.
Misture o açúcar, a manteiga e as avelãs até obter uma espécie de creme e incorpore o ovo.
Coloque os círculos de massa folhada sobre papel vegetal, num tabuleiro de ir ao forno.
Disponha o creme por cima da massa folhada e por cima coloque a maçã.
Leve ao forno cerca de 25 minutos a 180º ou ate estar dourada.