terça-feira, 20 de outubro de 2015

Caril de batata-doce com grão e espinafres

A minha avó tem o velho hábito de contar histórias antigas à mesa. Histórias que já foram contadas dezenas de vezes mas que ela pensa que nunca as contou.
Um clássico é a história do bacalhau. Quando os meus avós se casaram, viviam com bastantes dificuldades, trabalhando dia e noite. Certo dia, a minha avó lembrou-se de cortar a posta de bacalhau e servir metade ao meu avô. Ora, ele ficou furioso e disse que nem que corresse meio Mundo mas na comida não se cortava.
Ora comigo a história foi outra. Para que não pensassem que tratava mal o Mr. Frango resolvi "engordá-lo" logo no primeiro mês de vida conjugal. Não queria ouvir "ah...a Naida não trata bem de ti, estás tão magrinho, eu logo vi que aquele blogue é um flop"
Pois, engordei eu também. Por arrasto. Não por causa do que se comeu em casa mas de todo um conjunto de festas, férias e jantares que ocorreram no Verão.
Na verdade a culpa nem foi minha mas eu assumo-a para que todos pensem que o trato bem.
A primeira estratégia funcionou, passo à segunda: Habituá-lo a comer o que gosto!
E aqui chegamos ao dia em que digo: Adoro pratos vegetarianos! Vou fazer de vez em quando, ok?
Ao que ele responde: detesto comidas vegetariana!
"Detestas? Como assim?"- perguntei eu, incrédula.
Ao que ele me responde: "Comi uma vez e não gostei. Não gosto nada de soja, tofu e essas coisas"
Lembrei-me logo da bolonhesa de soja que tinha feito na semana anterior. Ele tinha comido. E gostado. Mas ignorei. Limitei-me a perguntar se gostava de legumes. Resposta óbvia. Adora.
Pois então, legumes da horta :)
Ingredientes:
2 cebola picada
1 malagueta vermelha picada (sem sementes)
2 batatas-doces cortadas em rodelas
400 gr de grão-de-bico cozido
2 tomates maduros
200 gr de espinafres
400ml de leite de coco (quando não tenho uso leite normal com 1 colher de sopa de coco ralado)
1 colher de sopa de caril (uso deste da marmita)
100 gr de cogumelos laminados
azeite e salsa ou coentros picados q.b

(Receita ligeiramente adaptada do Jamie Oliver)
Preparação:
Refogue a cebola em azeite e adicione o caril.
Junte a malagueta, a batata-doce, os cogumelos e o tomate bem picado.
Mexa bem e acrescente 200ml de água. Deixe cozinhar cerca de 15 a 20 minutos, até a batata-doce estar cozida e o molho espesso.
Adicione o grão e o leite de coco, deixe ferver e junte os espinafres e cozinhe até estes murcharem.
Polvilhe com coentros ou salsa e sirva com arroz.
É um óptimo prato para congelar as sobras :)

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Tostas de feijão-verde e queijo feta


E pronto, chegou o Outono.
Dizer que o Verão passou num abrir e fechar de olhos não é novidade para ninguém.
Por estes lados passou depressa demais, mas foi muito, muito bom :)
O Outono chegou com novos projectos (estou em pulgas para vos contar :D) mas também me mostrou o melhor de viver junto à praia :)
Acabou a confusão de pessoas, carros, filas! O sossego e o silêncio convidam a maravilhosas caminhadas ao final do dia. E como a luz do pôr-do-sol é linda :)
Na volta, vou passando pelo campo, e ir a casa dos meus avós é sempre sinónimo de caixotes de legumes e frutas. Não há que enganar! Estamos em pleno Outono!
Dióspiros com fartura, cenouras, couves. É altura de dizer adeus aos tomates e ao feijão-verde. Para o ano há mais.
O último da época resignou-se a este "snack" para dias preguiçosos ao sofá (era bom era :)
Bom fim-de-semana :)
























(Receita ligeiramente adaptada da revista anual Jamie Oliver)
Ingredientes:
Para 4 a 6 tostas
1 colher de sopa de azeite
1 cebola pequena picada
150 gramas de feijão- verde laminado
fatias de pão
queijo feta a gosto
sementes de sésamo

Preparação:
Numa frigideira anti-aderente salteie a cebola finamente picada. Junte o feijão-verde e salteie durante cerca de 5 minutos ou até estar tenro mas crocante. Mexa sempre.Tempere com sal e pimenta a gosto.
Torre o pão e por cima disponha o feijão-verde e o queijo feta.
Regue com um fio de azeite e sirva.

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

4 anos de blogue e um bolo de chocolate!


4 anos! 4 anos!

A minha mãe costumava dizer sempre, em tom de desabafo, que eu nunca acabava o que começava! Talvez fosse um daqueles defeitos que responsabilizamos aos signos. Gémeos! Ora uma típica nativa de gémeos gosta de experimentar muitas coisas ao mesmo tempo :)
A meio ficavam os bordados, os livros, as arrumações.
"Tiveste muita sorte, terminei a licenciatura e o mestrado", respondia eu na brincadeira.
E termino sempre aquilo que me desperta paixão, entusiasmo e que gosto verdadeiramente. Nesses casos, não termino, continuo vida fora.
Esta semana pensei sobre o que me faz continuar "o meu franguinho". E isso levou-me a pensar nestes últimos 4 anos.
Quando comecei o blogue, à semelhança de outros que tive, não queria que soubessem que eu era a autora. Tinha vergonha. Não sei se era vergonha, mas tinha receio sobre o que as pessoas que me conheciam iam pensar.
Aos poucos fui-me "revelando" e os amigos foram descobrindo este espaço. Ninguém disse "mas tu não és chef, porque raio tens um blogue". Não. Acharam piada. Gostaram!
Comecei a ver muitos blogues, muito pinterest, e lembrei-me que a reflex podia fotografar comida e não apenas pessoas.
Conheci pessoas. Dei-me a conhecer.
Sempre entendi que os blogues são reflexos de nós mesmos. Daquilo que gostamos, do nosso estado de espírito, do nosso meio. Por isso, sempre defendi que há espaço para todos. A blogosfera é imensa, mesmo que 10 blogues tenham a mesma receita, ela será apresentada de forma diferente em cada um deles. A fotografia é diferente, a visão é diferente, as palavras são diferentes.
A cada dia que passa nascem novos blogues, alguns deles muito bons. Fico impressionada com o que vejo, quem me dera que os meus primeiros 50 posts tivessem metade da qualidade de muitos que hoje começam.
A cada dia nascem também blogues sem alma, sem paixão, só porque sim. Porque ter um blogue é fixe e as marcas enviam coisas grátis para casa.
Continuo a acreditar que há espaço para todos, mas temos de nos saber respeitar. Não sei se penso assim porque estou habituada a trabalhar em equipa, e quem trabalha em equipa sabe que juntos vencemos. Olhar apenas para o nosso umbigo de nada serve.
Há dias em que a blogosfera me desilude mas há outros, felizmente quase todos, que me traz muitas alegrias.
Obrigada a todos os que estão desse lado.
Obrigada mesmo!
Let´s celebrate! With a Cake!

(Receita retirada deste site)
Ingredientes:
6 ovos +1 clara
200 gramas de farinha
1/4 de chávena de cacau em pó
300 gramas de açúcar
1/2 colher de chá de sal
150 gramas de manteiga
3/4 chávena de café à temperatura ambiente
1 colher de chá de fermento

Recheio:
1/4 chávena de açúcar
2 colheres de sopa de cacau
1 colher de chá de café
200 gramas de manteiga à temperatura ambiente

Glacê:
180 gramas de chocolate negro
4 colheres de sopa de manteiga
1 colher de sopa de licor (usei licor de chocolate)- opcional
Preparação:
Separe as gemas das claras.
Bata as gemas e misture com a manteiga e o café.
Num recipiente à parte misture a farinha, o cacau, 150gramas de açúcar e o fermento. Faça um buraco e adicione a misture das gemas.
Misture bem.
Bata as claras e junte o restante açúcar. Envolva as claras no preparado anterior.
Coloque numa forma untada e leve ao forno pré-aquecido a 180º durante cerca de 40 minutos ou até estar cozido.
Para o recheio, misture bem todos os ingredientes e leve ao frio.
Para o glacê, derreta o chocolate com a manteiga e acrescente depois o licor.
Deixe o bolo arrefecer e corte em 2 ou 3 camadas, conforme prefira. Coloque o recheio e por cima do bolo coloque o glacê.
Decore a gosto.


sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Uma viagem a Córdoba e o salmorejo cordobês


Como vos tinha contado neste post, Agosto entrou com novas coordenadas e novos trajectos a percorrer.

Duas semanas antes, quando ainda não sonhava com tais desfechos, lembrei-me que já lá iam 5 anos sem sair para férias 5 dias seguidos. Marcar férias apenas com 15 dias de antecedência pode-vos parecer de loucos. Mas, na verdade, para quem trabalha por conta própria , pode não ser muito fácil saber com antecedência se vai ter trabalho em determinada altura, ou não.


Como gostamos de roadtrips pensámos logo em fugir rumo à Costa Alentejana. Mas como era início de Agosto e precisávamos de umas férias diferentes, a segunda alternativa veio com castanholas.
Espanha parecia perfeito. Uma roadtrip pela Galiza, pensei eu, até ver os preços (se puderem marquem mesmo com alguma antecedência e não terão sustos. Prometo ;)


Olhei para o mapa de Espanha de uma ponta à outra e vi Sevilha. Sevilha? A cidade que a Marmita não se cala de dizer que é tudo de espectacular? 
Comecei a pesquisar cidades à volta de Sevilha e encontrei Córdoba. Muitos dos meus amigos já tinham ido a Sevilha mas de Córdoba ninguém tinha falado. Pesquisei no Google e disse logo: É para aqui que vamos :)


Pensei muito se devia fazer este post. Na verdade são as minhas férias e isto não é um blogue de viagens. Mas quando procuro um sítio para ir, nunca sigo as dicas do turismo local, mas sim de blogues. Gosto de ler os relatos e principalmente as fotos, sempre com mais alma do que as fotos tradicionais que enchem as páginas turísticas.

Assim, precisamente um mês depois de eu e o Mr. Frango termos juntado os trapinhos na mesma capoeira, rumávamos numa roadtrip com destino a Córdoba.


Sim, são muitas horas na estrada. Mas percorrer a Estremadura espanhola,com aquelas paisagens que nos fizeram sentir que estávamos na Route 66, não tem preço. Na verdade, e deixo aqui a primeira dica, se forem a Córdoba, visitem em Maio, a Fiesta de los Patios de Córdoba. Primeiro, porque deve ser liiiiindo de morrer. Segundo porque ir a Córdoba e Sevilha em Agosto é a loucura! As temperaturas rondam os 46º (sim, sobrevivi :D) e os 39º à noite (não pensem que à noite melhora, porque o calor é imenso na mesma :)


E realmente este foi o único aspecto menos bom que encontrei nestas férias. Tentei contorná-lo com muitas idas à piscina num hotel que em tudo recomendo. É o Hotel Córdoba Center. Para além de ser perto do centro e da zona histórica da cidade, tem piscina no último piso do hotel, o que é fantástico. Podem ver imagens no meu instagram, onde vão encontrar muitos granizados e tintos de Verano :)


E pronto, divagações à parte, adorei Córdoba.Tinha já planeados alguns sítios que queria visitar. Mas partimos de mapa na mão à descoberta. A primeira paragem foi o Mercado de la Victoria, visita que acabámos por repetir no dia seguinte.

É um sítio fantástico ao estilo do Mercado da Ribeira ou Mercado do Bom Sucesso no Porto. Com uma fusão de restaurantes (e o ar condicionado na temperatura perfeita) experimentámos umas azeitonas recheadas com tâmaras e presunto e com tomate seco e mozarella. Di-vi-nais!
































Entre os legumes, os granizados e os gelados (que atacámos no dia seguinte) os nossos olhos caíram
sobre um prato de cogumelos. Os melhores da minha vida!


Comida, comida e mais comida! Tapeando uma pessoa é sempre feliz :)



Mas Córdoba não é só comida. Se pesquisarem Córdoba no Google, a maior parte das imagens é da Catedral. E uma das coisas que me fez escolher esta cidade é a tão presente influência mourisca. A Catedral é disso exemplo. Mas as ruas, as portas e janelas, as cores, os edifícios, todos fazem lembrar a cultura árabe.


Em Córdoba, a maior parte dos restaurantes, em especial no centro histórico, têm já criado um menu de tapas para turistas. Ou seja, por cerca de 10/12 euros por pessoa, há menus de 5 pratos de tapas para partilhar, o que no início pensamos que é pouco mas no final, é mais do que suficiente. 

Escolhemos sempre tapas diferente típicas da Andaluzia. Mas o salmorejo cordobês nunca falha no menu. Já para não falar nas patatas bravas, batatas aioli, beringela frita, revuelto, flamenquines e fritos, muitos fritos.

No entanto as calorias gastam-se todas a passear. Os pátios de Córdoba, a Calleja de las Flores, a Ponte Romana, o templo romano (muito idêntico ao de Évora) ou o Álcázar de los Reyes Cristianos, são apenas alguns dos locais de visita obrigatórios.


Andaluzia tem mesmo uma cor especial!


Para terminar, trazer-vos só uma cidade, que apesar de linda, não fazia qualquer sentido para mim. Trouxe também uma receita e um blogue que descobri através das minhas pesquisas sobre Córdoba.
Que lo disfrutem :D


Salmorejo Cordobês
Ingredientes:
1kg de tomates maduros
100 gramas de pão
80 ml de azeite
1 dente de alho
1 colher de sal 
1 ovo cozido
presunto
cebolinho q.b


Receita ligeiramente adaptada daqui

Preparação:
Retire a pele dos tomates e corte-os em bocados. Coloque no liquidificador ou num recipiente para triturar. Junte o alho, o pão, o azeite e o sal e triture bastante até ter um creme homogéneo.
Parta o ovo e o presunto em bocados muito pequenos e pique o cebolinho. 
Sirva o salmorejo em taças e por cima coloque um pouco de ovo, presunto e cebolinho.
Uma maravilha para os dias quentes de Verão.