quinta-feira, 1 de maio de 2014

Bolo de limão

De há 6 anos para cá tenho de dividir o dia 28 de Abril com 2 pessoas muito importantes para mim: o meu avô e o meu namorado.
Coincidência da vida, fazem anos no mesmo dia e são pessoas com personalidades muito semelhantes. São ambos teimosos, muito trabalhadores, que colocam a família em primeiro lugar e os primeiros a dar a mão a quem precisam.
Este ano o meu avô fez 75 anos. São 3 quartos de séculos! São as bodas de diamante dele próprio!
O meu avô nasceu numa família muito pobre e começou a trabalhar quase ao mesmo tempo que deu os primeiros passos. E hoje com 75 anos ainda trabalha activamente e tem uma força incrível.
Combateu no Ultramar contra a sua vontade. Trouxe consigo um diário e uma álbum de fotografias. Infelizmente, o diário perdeu-se com as obras da casa, restando o álbum de fotos de 2 longos anos em Angola. Ele não fala da guerra. E nós raramente fazemos perguntas. Sabemos que não morreu por um golpe de sorte e que nesse dia ele disse para si mesmo que não morreria nem na guerra nem tão novo.
A minha avó foi madrinha de guerra dele e na altura, chegaram notícias de que tinha morrido.
Ele voltou são e salvo e casaram no ano seguinte.
O resto da vida foi de trabalho. Operário fabril durante 42 anos na mesma fábrica das 8h às 17h e o restante tempo dividido entre a barbearia e o quintal. Sem férias. Quase sem descanso.
Hoje com 75 anos corta cabelos e "desfaz" barbas durante horas e horas e trata como ninguém do seu quintal.
É o melhor homem que eu conheço!
Viu-o emocionar-se apenas 2 vezes mas é um homem sensível com um sentido muito grande de família.
Tenho uma sorte enorme de o ter comigo, de o ver quase todos os dias e aprender com ele.
E de lhe fazer um bolinho no dia do seu aniversário. Ele que não gosta de bolos nem doces mas gostou deste por causa do sabor a limão :)

(Como já referia aqui várias vezes, a minha especialidade não são bolos, apesar de adorar fazê-los. Nos últimos aniversários tenho experimentado os bolos deste livro e saem sempre bem para minha grande felicidade. Reduzo na gordura e um bocadinho no açúcar e têm sido dos meus bolos favoritos)


 (receita ligeiramente adaptada do livro Os bolos da Julie)
Ingredientes:
290 gramas de farinha
40 gramas de farinha maisena
2 colheres de chá de fermento
4 ovos
1 pitada de sal
300 gramas de açúcar
raspa de 2 limões
100 gramas de manteiga à temperatura ambiente
235 ml de leite

Recheio de limão:
100 gramas de manteiga
150 gramas de açúcar
120 ml de sumo de limão
raspa de 3 limões
1 pitada de sal
6 gemas

Creme de manteiga de limão para cobertura:
200 gramas de manteiga à temperatura ambiente
450 gramas de açúcar em pó
raspa de 2 limões
3 colheres de sumo de limão
Preparação:
Pré-aqueça o forno a 180º.
Unte com manteiga duas formas de 20 cm. (eu usei uma e corte o bolo a meio)
Peneire a farinha, a farinha maisena, o fermento e o sal para uma taça.
Misture 50 gramas de açúcar e a raspa de limão até estar incorporado.
Na batedeira, misture a manteiga e o açúcar com limão até ficar foto.
Adicione o restante açúcar e bata até ter uma massa suave. Adicione lentamente a farinha, alternando com o leite em 3 vezes, começando e acabando com a mistura seca. Misture bem.
Numa outra taça bata as claras em castelo e envolva suavemente ao preparado anterior.
Leve ao forno cerca de 40 minutos ou até o bolo estar cozido.
Desenforme e deixe arrefecer.
Para o recheio, derreta a manteiga num tacho ao lume.
Retire do lume e misture o açúcar, o sumo de limão, a raspa e o sal.
Adicione as gemas e misture muito bem.
Volte a colocar em lume médio, mexendo sempre durante cerca de 5 minutos até a mistura engrossar.
Deixe arrefecer à temperatura ambiente.
Para a cobertura, bata a manteiga e a raspa de limão na batedeira.
Adicione aos poucos o açúcar em pó até alcançar uma consistência cremosa.
Acrescente o sumo de limão e bata durante um minuto.
Corte o bolo ao meio ou recheie cada parte com o creme de limão e decore com o creme de manteiga de limão a gosto.

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Tortilhas de frango, noodles e vegetais

Não sei se com vocês acontece o mesmo, mas há alturas em que não cozinho nada de novo, nada de especial.
Detesto quando isso acontece, porque gosto muito de variar, mas o tempo (sempre o tempo, sempre o tempo) não o tem permitido.
É assim a minha vida, há mais ou menos 3 anos! (recuso-me acreditar que já passaram 3 anos, a sério!).
Ora vivo dias quase sem respirar ou semanas em que não há nada para fazer.
Perco-me entre os dias mais calmos, entre ideias e projectos que acabam por ficar sempre no papel e os dias agitados, com prazos apertados que me dão aquela adrenalina boa que preciso para viver.
A horta foi finalmente lavrada. A chuva atrasou tudo este ano, agora é ter paciência e esperar!
E eu continuo na "minha" fast food"!
(receita inspirada neste livro fantástico )
Ingredientes (para 2):
tortilhas (ver receita aqui)
2 bifes de frango
1/4 alho francês às rodelas (parte branca)
1 cenoura ralada
noodles a gosto
microvegetais mizuna e beterraba Life in a Bag
maionese
1 colher de chá de pasta de malagueta
Preparação:
Prepare as tortilhas conforme a receita ou use de compra.
Prepare os noodles conforme as instruções da embalagem.
Corte o frango em pequenos cubos e leve a alourar numa frigideira com um fio de azeite e o alho francês. (Se tiver sobras de frango pode usar) Tempere com sal e pimenta.
Em cima da tortilha coloque os noodles, o frango, a cenoura ralada e os microvegetais.
Por cima, esprema um pouco de lima a gosto e maionese (junte a pasta de malagueta e um raminho de microvegetais cortados à maionese e misture).

terça-feira, 15 de abril de 2014

Rosca doce de chocolate e laranja para a Páscoa

Páscoa sem rosca doce não é Páscoa!
A verdade é que não é preciso ser Páscoa para comer rosca doce (folar ou regueifa).
Mas antigamente, (pelo menos aqui no campo) o folar que as madrinhas davam às afilhadas na Páscoa era mesmo isso, um folar, uma rosca doce! A minha mãe nunca recebeu outra coisa da madrinha dela (que era a tia solteirona do post anterior). Já eu recebi mais que uma rosca da minha.
Mas cá em casa não falta a rosca doce na mesa e este folar de carne a lembrar Trás-os-Montes!
Se no ano passado fiz este folar maravilhoso (que tenho intenções de repetir este ano), este ano não iria deixar escapar um pão doce diferente.
Fiquei louca com esta receita da Donna Hay e não resisti a experimentar no passado domingo de Ramos.
E ficaria fantástico não tivesse uma distracção minha deitado quase tudo a perder! Sem querer, esqueci-me de polvilhar a banca com farinha e quando estava no preciso momento de enrolar a massa no chocolate, esta começou a colar à banca.
Não queria acreditar na minha estupidez!
Um buraco na massa, o chocolate a misturar-se com a massa... Pronto, vou misturar tudo!
E pronto, não podia ter resolvido de melhor maneira! Ficou delicioso!
Páscoa Feliz!
Ingredientes:
1 chávena e meia de farinha com fermento
1 colher de chá de fermento em pó
1/4 chávena de açúcar
40 gramas de manteiga fria, cortada fina
1/2 chávena de leite
3 colheres de sopa de cacau em pó
raspa de 1 laranja
sementes de papoila branca q.b

Preparação:
Pré-aqueça o forno a 180º.
Misture a farinha, o fermento e o açúcar num recipiente. Junte a manteiga e com os dedos misture bem.
Adicione o cacau e as raspas de laranja.
Faça um buraco no centro da farinha e coloque aos poucos o leite, mexendo sempre.
Amasse bem e divida a massa em dois. Estenda em dois rolos, entrelace em forma de rosca e una bem as pontas.
Pincele a rosca com leite, polvilhe com chocolate e sementes de papoila branca.
Leve ao forno cerca de 40 a 50 minutos!
Páscoa Feliz!


segunda-feira, 7 de abril de 2014

As minhas papas de aveia favoritas!

Quando era pequena, para além dos meus pais, vivia também em casa dos meus avós uma tia da minha avó.
Essa tia era solteira, sem filhos e muito muito amarga. Eu, criança inocente que era, só queria brincadeira e estava sempre a meter-me com ela mas de resposta só a ouvia a gritar comigo "está quieta cachopa!"
Para o pequeno-almoço, ela fazia papas de aveia. Cheguei a ter curiosidade e a provar mas não me tornei grande fã. De maneira que a senhora faleceu e durante anos e anos nunca mais voltei a provar as ditas papas.
Como há sempre flocos de aveia cá em casa, para bolachas, crumbles e afins, um dia a minha mãe fez papas de aveia para o pequeno-almoço, eu provei e gostei!
E a partir desse dia fui juntando fruta e sementes até chegar às minhas papas favoritas!
Porque, para mim, o pequeno-almoço é mesmo a melhor e mais importante refeição do dia!






















Ingredientes (por pessoa):
130 ml de leite
3 colheres de flocos de aveia
1 "mão-cheia" de frutos vermelhos (frescos ou congelados)
1/2 banana
1 colher de chá de compota (usei de ruibarbo)
1 colher de chá de sementes de linhaça moida
1 colher de chá de canela em pó
1 colher de chá de corintos secos (opcional)
1 colher de sopa de granola (opcional)
Preparação:
Coloque o leite numa pequena panela e leve ao lume. Adicione os flocos de aveia.
Deixe começar a engrossar e adicione os frutos vermelhos (se forem congelados), a canela, as sementes de linhaça e a compota. Mexa bem. Corte a banana em rodelas e adicione.
Deixe ferver e desligue.
Sirva com granola, frutos secos ou fruta.
Eu gosto das papas mais "grossas" mas senão gostar, acrescente mais leite.