sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Bolachas de alfarroba e amêndoa

Mesmo correndo o risco de perder leitores, arrisco e hoje trago uma história peculiar (e verídica!) sobre estas bolachas.
Estava eu, na véspera da foodtrip a Londres, a fazer snacks para a viagem, quando me lembrei de fazer também umas bolachinhas. Como sabia que íamos comer bastante (não fosse uma foodtrip) decidi folhear o novo livro light da Lorraine Pascale que tinha chegado dias antes.
Escolhidas as bolachas, passei rapidamente à acção (porque havia ainda a mala para fazer e já estava na hora de jantar).
Eis senão quando, já com as mãos na massa descubro que não há manteiga. Pensei em ir a casa (estava em casa da minha avó) mas já estavam à minha espera para jantar. Foi então que reparei num frasco com banha! E decidi arriscar! Uma colher de sopa rasa e um fio de azeite e ninguém vai notar.
Fiz a experiência com o pai, mãe e avó que não estranharam nada no sabor. Siga!
Só me voltaria a lembrar do uso da banha quando ouço a Inês, a Sandra e a Maria João a devorarem as bolachas. Diziam elas que eram óptimas e perguntavam o que levava! Pois, o que levava...
Deixei-as comer e tentei ignorar a pergunta. Mas uma voz interior falou mais alto. Não consigo esconder nada por muito tempo e acabei por contar o episódio.
E pronto, até hoje a piada da banha ficou. E as bolachas desapareceram.
Por estes dias andava com "desejos" de bolachas e lembrei-me delas. Têm um ar pecaminoso que sacia só de olhar! Mas desta vez tinha manteiga em casa!
(receita ligeiramente adaptada do livro A Lighter Way to Bake- Lorraine Pascale)
Ingredientes:
50 gramas de manteiga
50 gramas de açúcar amarelo
1 ovo
100 gramas de farinha sem fermento
50 gramas de farinha de alfarroba
50 gramas de amêndoa cortada em pedaços
1 colher de chá de bicarbonato de sódio

Preparação:
Misture a manteiga derretida com o açúcar. Adicione o ovo e bata bem .
Junte a farinha, a alfarroba, o bicarbonato e a amêndoa, mexendo sempre para unir os ingredientes.
Polvilhe as mãos com farinha e faça bolinhas com a massa. Achate-as um pouco e coloque-as num tabuleiro.
Leve ao forno pré-aquecido a 180º entre 10 a 15 minutos.



sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Pãezinhos de linhaça, tomilho e alecrim

"Na casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão".

A minha avó costuma dizer muitas vezes este ditado que, embora antigo, tem tanto de verdade como de actual.
Cá em casa nunca falta pão à mesa. Eu não dispenso ao pequeno-almoço mas não como às refeições. Já o meu pai e os meus avós fazem dele acompanhamento para tudo.
No Inverno tínhamos sempre pão quentinho feito em forno a lenha, mas nos últimos anos a minha avó deixou de o fazer por motivos de saúde. De vez em quando lá faço o gostinho às mãos mas elas têm mais jeitinho para fazer bolachas!  
Andava cheia de vontade de voltar a amassar pão e o workshop de Bolos Reais de Natal que assisti nos Workshops Pop Up a convite da Nacional abriu ainda mais o apetite. Num instante meteu-se o Natal e disse para mim mesma que ia fazer o bolo-rei de chocolate que tinha provado no workshop no Dia de Reis. Enfim, passei os Reis de molho com uma virose e o pão ficou em "banho-maria".
Ontem, com o quentinho do forno a lenha a crepitar tomei a decisão! 
Farinha, fermento, sal, água! Ingredientes tão simples que fazem algo tão saboroso!
(receita inspirada no livro A Lighter Way To Bake da Lorraine Pascale)
Ingredientes (6 bolinhas):
200 gramas de farinha sem fermento Nacional
50 gramas de farinha integral Nacional
50 gramas de farinha de linhaça
1 colher de sopa de sementes de linhaça 
1 colher de sopa de tomilho e alecrim picados 
1/2 colher de sopa de azeite
1 colher de sopa de fermento de padeiro
225 ml de água morna
Preparação:
Numa tigela grande junte as farinhas, as sementes e o alecrim e tomilho. Faça um buraco no meio da farinha e coloque o sal, o azeite e o fermento. Aos poucos adicione a água e com as mãos vá misturando a farinha com a água até formar uma bola e esta se desprender das mãos e do recipiente.
Amasse durante cerca de 10 minutos.
Com as mãos forme bolinhas pequeninas.
Coloque num tabuleiro de ir ao forno polvilhado com farinha num sítio quente, tape com um pano e deixe levedar cerca de  40 minutos.
Leve ao forno cerca de 20 minutos e está pronto a comer!

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Bolinhos de batata-doce e lentilhas

Sou muito apegada às pessoas, aos lugares, aos animais, às coisas.
Quando acabei a licenciatura e mudei de universidade para fazer o mestrado, cismei que não queria conhecer ninguém. A sensação de saber que mais cedo ou mais tarde me ia apegar às pessoas e depois seguiríamos caminhos diferentes deixava-me triste e angustiada.
Ainda bem que houve pessoas que conheci nessa altura (tais como aquele que agora é meu namorado) que insistiram comigo e me mostraram que a vida é mesmo assim.
Sou igualmente apegada aos ingredientes. Quando penso que está a acabar a época das framboesas por exemplo, e que terei de esperar um ano para ter novamente, sinto uma tristeza enorme.
Por isso, devemos aproveitar o que temos ao máximo! Por aqui restam poucas batatas-doces!( o meu avô planta sempre uma qualidade diferente que normalmente não encontro no supermercado, cujo exterior é avermelhado e o interior amarelado) Não resisti a transformá-las em hamburgers.
 (receita ligeiramente adaptada do livro Dia a Dia Mafalda)
Ingredientes:
3 batatas-doces grandes
1/2 chávena de lentilhas
1 cebola
1 cenoura ralada
1 colher de sopa de caril
sal, pimenta e azeite q.b
farinha de milho e farinha de linhaça q.b

Preparação:
Descasque as batatas e corte em cubos pequenos.
Leve as batatas a cozer com as lentilhas, cercas de 20 a 25 minutos ou até estarem tenros.
Escorra a água e com um garfo esmague bem as batatas e as lentilhas.
Pique a cebola e aloure num fio de azeite. Adicione o caril e mexa bem. Junte a cenoura ralada e as batatas e as lentilhas. Tempere com sal e pimenta.
Retire do lume e deixe arrefecer um pouco.
Num prato coloque farinha de milho e farinha de linhaça (pode usar pão ralado)
Com as mãos molde bolinhos em forma de hamburgers, passe pela farinha ou pão ralado e leve a alourar de ambos os lados numa frigideira com um fio de azeite.
Sirva num pão como um hamburger ou com molho de iogurte.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Rojões e heranças familiares

É engraçado como Portugal, um país tão pequenino à beira-mar plantado tem tanta diversidade.
Em termos gastronómicos é impressionante a riqueza e variedade de opções.
Tendo a minha família paterna origens transmontanas, sempre ouvi dizer que a melhor forma de aproveitar a carne é fazendo fumeiro: chouriças, alheiras, farinheiras, morcelas, presuntos... Tantas opções para conservar a carne ao longo dos meses.
A minha família materna sempre viveu no litoral, entre a Ria e o Mar. Uma paisagem deslumbrante mas um clima húmido, húmido. Seria um disparate fazer fumeiro! Não aguentaria!
Por isso quando matavam o porco, por exemplo, conservava-se a carne na salgadeira (quando ainda não haviam arcas) e faziam-se rojões.
E não há rojões como os da minha avó. Com carne de porco criado em casa e muito bem alimentado, com a dose de gordura certa e tão crocantes.
Um dos pratos mais apreciados cá em casa ao qual nunca tinha pedido a receita à minha avó.
Ontem não precisei de pedir. Observei-a a fazê-los.
Ingredientes:
carne de porco (para rojões)
banha de porco
sal
Preparação:
Corte a carne em pequenos pedaços e tempere-a com sal. Tape e reserve pelo menos umas 4 horas.
Coloque a carne numa panela grande e cubra com banha de porco. Deixe cozinhar em lume brando e vá mexendo de 5 em 5 minutos.
Os rojões demoram cerca de 2 horas a ficarem no ponto.
Segundo a minha avó, quando começarem a ganhar cor, aumente a intensidade do lume. Quando a carne estiver dourada e o molho fizer bolhas está pronta.
Sirva com grelos cozidos e broa de milho.