terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Bolinhos de batata-doce e lentilhas

Sou muito apegada às pessoas, aos lugares, aos animais, às coisas.
Quando acabei a licenciatura e mudei de universidade para fazer o mestrado, cismei que não queria conhecer ninguém. A sensação de saber que mais cedo ou mais tarde me ia apegar às pessoas e depois seguiríamos caminhos diferentes deixava-me triste e angustiada.
Ainda bem que houve pessoas que conheci nessa altura (tais como aquele que agora é meu namorado) que insistiram comigo e me mostraram que a vida é mesmo assim.
Sou igualmente apegada aos ingredientes. Quando penso que está a acabar a época das framboesas por exemplo, e que terei de esperar um ano para ter novamente, sinto uma tristeza enorme.
Por isso, devemos aproveitar o que temos ao máximo! Por aqui restam poucas batatas-doces!( o meu avô planta sempre uma qualidade diferente que normalmente não encontro no supermercado, cujo exterior é avermelhado e o interior amarelado) Não resisti a transformá-las em hamburgers.
 (receita ligeiramente adaptada do livro Dia a Dia Mafalda)
Ingredientes:
3 batatas-doces grandes
1/2 chávena de lentilhas
1 cebola
1 cenoura ralada
1 colher de sopa de caril
sal, pimenta e azeite q.b
farinha de milho e farinha de linhaça q.b

Preparação:
Descasque as batatas e corte em cubos pequenos.
Leve as batatas a cozer com as lentilhas, cercas de 20 a 25 minutos ou até estarem tenros.
Escorra a água e com um garfo esmague bem as batatas e as lentilhas.
Pique a cebola e aloure num fio de azeite. Adicione o caril e mexa bem. Junte a cenoura ralada e as batatas e as lentilhas. Tempere com sal e pimenta.
Retire do lume e deixe arrefecer um pouco.
Num prato coloque farinha de milho e farinha de linhaça (pode usar pão ralado)
Com as mãos molde bolinhos em forma de hamburgers, passe pela farinha ou pão ralado e leve a alourar de ambos os lados numa frigideira com um fio de azeite.
Sirva num pão como um hamburger ou com molho de iogurte.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Rojões e heranças familiares

É engraçado como Portugal, um país tão pequenino à beira-mar plantado tem tanta diversidade.
Em termos gastronómicos é impressionante a riqueza e variedade de opções.
Tendo a minha família paterna origens transmontanas, sempre ouvi dizer que a melhor forma de aproveitar a carne é fazendo fumeiro: chouriças, alheiras, farinheiras, morcelas, presuntos... Tantas opções para conservar a carne ao longo dos meses.
A minha família materna sempre viveu no litoral, entre a Ria e o Mar. Uma paisagem deslumbrante mas um clima húmido, húmido. Seria um disparate fazer fumeiro! Não aguentaria!
Por isso quando matavam o porco, por exemplo, conservava-se a carne na salgadeira (quando ainda não haviam arcas) e faziam-se rojões.
E não há rojões como os da minha avó. Com carne de porco criado em casa e muito bem alimentado, com a dose de gordura certa e tão crocantes.
Um dos pratos mais apreciados cá em casa ao qual nunca tinha pedido a receita à minha avó.
Ontem não precisei de pedir. Observei-a a fazê-los.
Ingredientes:
carne de porco (para rojões)
banha de porco
sal
Preparação:
Corte a carne em pequenos pedaços e tempere-a com sal. Tape e reserve pelo menos umas 4 horas.
Coloque a carne numa panela grande e cubra com banha de porco. Deixe cozinhar em lume brando e vá mexendo de 5 em 5 minutos.
Os rojões demoram cerca de 2 horas a ficarem no ponto.
Segundo a minha avó, quando começarem a ganhar cor, aumente a intensidade do lume. Quando a carne estiver dourada e o molho fizer bolhas está pronta.
Sirva com grelos cozidos e broa de milho.


terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Pão de abóbora e café


Lindos raios de sol e períodos de chuva intensa.
Assim têm sido os últimos dias.
A vontade de escrever aqui tem sido muita.
Tenho pensado muitas vezes em mostrar-vos o "meu campo". O que cresce, a que ritmo, o que plantar e claro, receitas onde o ingrediente principal seja retirado aqui do quintal.
Porque a minha aprendizagem tem sido lenta.
Comecei com as framboesas, depois os mirtilos, a rúcula, rabanetes e o ruibarbo.
Mas quero aprender mais.
Hoje o ingrediente principal escolhido é a abóbora.
Apesar de a usar imensas vezes em pratos salgados nos doces ela parece ter outro encanto. Por isso repito! A repetição é o mote cá em casa e o grande motivo da falta de posts.
Fazemos muito peixe grelhado, peixe cozido com vegetais. Carne estufada, carne grelhada...O dia-a-dia exige rapidez, e nem sempre há uma máquina fotográfica por perto.
Voltando à abóbora, não me estarei a repetir? Já fiz um pão de abóbora e já fiz um pão de café.
Ambos deliciosos! Mereciam um novo post com os dois aromas juntos!
Num pão que parece um pudim!
Prepare esta receita quando estiver por exemplo a fazer um assado ou algo que demore mais tempo porque este pão/ pudim demora bastante tempo a ficar pronto.
Servi numa linda tábua feita pela querida Patrícia :) Podem ver as peças lindas aqui :)
 Receita do lindo blogue Pastry Affair)
Ingredientes:
300 gramas de abóbora (uma fatia grande)
80 gramas de açúcar amarelo
40 gramas de açúcar mascavado RAR
1/4 chávena de leite
3 colheres de sopa de óleo
2 ovos
180 gramas de farinha
1 colher de sopa de café instantaneo em pó
1 colher de sopa de canela
1/2 colher de chá de noz moscada
1/2 colher de chá de sal



Preparação:
Coloque a abóbora num tabuleiro de forno a assar cerca de 30 minutos ou até ficar mole.
Retire do forno e deixe arrefecer um pouco.
Retire a casca e com um garfo esmague até obter um puré.
Numa taça bata o açúcar, o óleo, o leite, os ovos e a abóbora.
Adicione a farinha, as especiarias, o café e o sal.
Coloque o preparado numa forma e leve ao forno cerca de 1hora a 1h20 a 190º.




quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Penicilina Judaica ou uma canja de legumes

2014 começou com uma virose.
E assim, depois de quinze dias de comida farta e muitos doces o meu corpo deu sinais de fraqueza.
Sempre tive uma alimentação saudável. Nunca comprei legumes.
Ou melhor, comprei quando vivi longe de casa, mas sempre que vinha de fim-de-semana ia carregada de frescos, carne de produção caseira e o peixe do mar tão perto.
O que pedir mais?
A verdade é que somos aquilo que comemos!
Sempre ouvi o meu avô dizer que a nossa alimentação é o nosso combustível. Aquilo que nos faz andar.
E a verdade é que com 74 anos tem uma saúde de ferro e uma energia fascinante.
Por isso comecei o ano com sopas e chás e com uma vontade reforçada de me alimentar ainda melhor. Fazer escolhas ainda mais acertadas e tirar o maior proveito do que a Natureza me dá!
Começo o ano com a receita que me "curou". O que Jamie Oliver chama de Penicilina Judaica e que encontrei ao folhear o livro que não me canso de experimentar receitas.
Uma espécie de canja de galinha com legumes, sabor, conforto e muitas vitaminas.
Ingredientes:
1 carcaça de frango (de preferência caseiro) e um bocado de carne (por ex. peito ou coxa) ou 1 frango (pode depois usar noutra receita)
1 cebola picada
3 cenouras descascadas e cortadas em rodelas
1/2 caule de aipo picado
4 dentes de alho picados
2 folhas de louro
1/2 couve branca cortada finamente (usei para substituir a massa)
sal e pimenta
1 molho pequeno de salsa picada
Preparação:
Numa panela grande coloque a galinha ou frango e cubra com água.
Deixe ferver durante 30 minutos e retire a espuma que se formou à superfície e deite fora..
Adicione mais água se necessário e deixe ferver. Junte os legumes picados (excepto a couve) e tempere com sal e pimenta.
Deixe ferver mais 20 minutos (caso esteja a cozer uma galinha caseira é necessário mais tempo. veja quando estiver cozinhada) e retire o frango. Desfaça a carne em lascas e volte a colocar na panela. Adicione também a couve e deixe cozer.
Quando a couve estiver cozida retire do lume.
Polvilhe com a salsa fresca  e sirva quente.